São oito horas da noite mas não anoiteceu ainda. O horário de verão faz isso, abençoado seja o horário de verão. Choveram as cataratas do Iguaçu sobre Porto Alegre esta tarde, e o tempo continua abafado. O temporal despencou no exato momento em que eu descia da lotação, na antiga parada onde eu costumava descer todos os dias, a uma quadra do meu antigo apartamento. Voltei ao velho prédio para buscar correspondências. É estranho voltar a fazer um caminho que a gente não fazia há algum tempo. É nostálgico. Ainda mais em um dia de chuva.
Por alguma razão, resolvi andar hoje, logo hoje, esse dia de chuva torrencial. Fui buscar as correspondências no meu prédio antigo. Essa tarde chuvosa me deu vontade de alugar DVDs, sentar na poltrona de casa e ver um bom filme, filmes sempre confortam a gente. Então fui até a locadora. Depois, fui até os Correios comprar uma caixa de SEDEX. Um dos melhores momentos do meu final de ano em 2006 foi receber o presente de uma amiga querida que nem me conhece pessoalmente, mora no Guarujá (SP), e quase derreteu o meu coração com aquele CD do John Mayer, aquela bolinha de tênis (Wilsonnnnnnnnnnn!!! Pra quem tem sensibilidade e gosta de cinema, é uma maneira singela de dizer "você nunca estará sozinho") e aquela carta absurdamente emotional. Ficou faltando meu presente pra ela, por isso a caixa de SEDEX. Me diverti no finzinho de tarde fazendo embrulhos, cuidando para que os presentes ficassem devidamente protegidos contra as eventuais trepidações da entrega, e não quebrassem no caminho. Papéis de presente, etiquetas de Natal, coisas singelas. Em cima da mesa, uma bebida gelada (continua quente em Porto Alegre), uma caixa de chocolates - presente de Natal que miraculosamente atravessou incólume as últimas semanas, o novo CD do John Mayer tocando no meu ouvido pela primeira vez. Adoro dar presentes. Adoro dar presentes a pessoas que os merecem.
A poesia desse fim de tarde chuvoso em Porto Alegre se deu num curto espaço de tempo entre as 17h e 20h de hoje, e se sucedeu a 7 horas de trabalho estafante, física, emocional e psicologicamente desgastante. Quando tudo parecia dar errado, o corpo se exaurindo em calor, abafamento e atividade repetitiva ininterrupta, a mente ameaçando atingir o limiar da sanidade, a fina camada de pensamento positivo* se dilatando quase a ponto de não poder conter a explosão de sentimentos negativos... Então desaba chuva em Porto Alegre. Levando as impurezas embora, como um choro da Terra.
Que me perdoe Aton, mas hoje a chuva em Porto Alegre me salvou.
* não dá pra deixar de ver "Quem Somos Nós".
3.1.07
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