23.12.07
Reflexão do dia
Pra que se impor restrições quando você pode ter tudo? Quando você pode ser tudo?
Não aceite ser menos do que você pode ser.
22.12.07
Feliz Natal!!!
Que todos possamos continuar pensando, criando, viajando, descobrindo, caindo e levantando, e vivendo esse maravilhoso desafio que é a vida :)
Ah, o texto e a produção do vídeo são de minha autoria ;)
6.12.07
20.11.07
Grace
(E como se não bastasse, ainda do U2...)
GRACE
Grace, she takes the blame
She covers the shame
Removes the stain
It could be her name
Grace, it's a name for a girl
It's also a thought that changed the world
And when she walks on the street
You can hear the strings
Grace finds goodness in everything
Grace, she's got the walk
Not on a ramp or on chalk
She's got the time to talk
She travels outside of karma
She travels outside of karma
When she goes to work
You can hear her strings
Grace finds beauty in everything
Grace, she carries a world on her hips
No champagne flute for her lips
No twirls or skips between her fingertips
She carries a pearl in perfect condition
What once was hurt
What once was friction
What left a mark
No longer stings
Because Grace makes beauty
Out of ugly things
Grace makes beauty out of ugly things
O Ódio
Eu sempre me perguntei pra que isso. Por que havia pessoas que estavam sempre ali, cutucando a gente, volta e meia trazendo esses assuntos de volta à tona, não nos deixando esquecer essa mancha funesta no currículo da humanidade. "OK, a gente já sabe que tudo isso foi horrível, e que não devemos fazer de novo", era o que eu sempre pensava. Mas eu descobri que a presença viva do ódio é muito mais forte do que qualquer idéia. É muito mais forte do que qualquer coisa que a gente possa julgar já saber de cor e salteado.
Este post sobre o ódio era pra ser uma coisa bem pessoal, passional até. Eu pretendia contar algumas histórias sobre a perpetuação do ódio, e pior ainda, sobre o seu trancamento dentro dos corações das pessoas (o que contraria totalmente a minha teoria de que corações devem ter torneiras abertas). Mas não. Porque minhas histórias não são de holocausto. E também porque, embora eu tenha aprendido como a presença viva e recorrente do ódio seja importante, eu continuo não querendo isso pra mim. Aqui no meu blog eu me reservo o direito de, em loucos devaneios, acreditar que as pessoas podem, sim, aprender a lição apenas uma vez e não precisem que uma assombração fantasmagórica venha aterrorizá-las durante a noite para que se lembrem de fazer as coisas certas.
Mas o ódio, ou a sua forma material, tangível, é um contraponto indispensável para nós, seres humanos. Ele nos mostra o quanto as coisas poderiam ser piores, o quanto aprendemos, o quanto trilhamos nessa estrada rumo a um amanhã melhor do que o hoje. Encarar o ódio nos olhos é ao mesmo tempo perceber a maravilha de tudo aquilo de bom que conquistamos, e o horror que existiria se tudo aquilo nos faltasse, se por um pequeno lapso nós nos desencaminhássemos, tropeçássemos e caíssemos na vala funda da nossa própria obscuridade. O ódio na verdade é um chamamento à realidade, é uma lente que nos coloca os fatos em perspectiva. Parece paradoxal, mas o ódio é uma bênção.
Eu desejo sinceramente que alguém odeie você. E que você possa olhar esse ódio nos olhos, porque isso ajuda a colocar todas as coisas nos seus devidos lugares. O ódio nos relembra que precisamos amar.
5.11.07
Por que eu amo tênis (e o Gasquet e o Djokovic)
Estes são dois representantes da nova geração do tênis, e dois dos mais talentosos tenistas da atualidade. E eles fazem festa, como você pode ver. Gasquet, vencido, esguicha champanhe nas costas de Djokovic, e parece se divertir tanto quanto o campeão. Dois jovens que seguramente ainda têm muitos torneios pela frente, muitas vitórias e derrotas, muitas glórias e lágrimas esperando por eles. Eles celebram. Me alegra demais a atitude do Richard, com esse sorriso no rosto mesmo após uma derrota. Derrota? Bom, um rapaz de 21 anos que chega à final de um dos torneios mais importantes do ano, e termina a temporada entre os oito melhores do mundo, certamente não é um derrotado. Eu, aliás, acho que ele só tem motivos pra comemorar mesmo. Que estoure muitas Veuve Clicquot por aí! E o carismático Novak me enche de alegria também, ao demonstrar a generosidade de um verdadeiro campeão, em compartilhar sua felicidade com todos, especialmente com a única pessoa que faz todos os seus triunfos possíveis: seu adversário!
Obrigada, Richard e Novak, por me mostrarem, em um descontraído banho de champanhe, que ainda há salvação para a humanidade.
4.11.07
Tennis Masters Cup
1- Roger Federer (SUI)

Não há muito a dizer sobre o suíço: número um do mundo absoluto, pelo quarto ano consecutivo. O cara simplesmente domina o mundo do tênis.
2- Rafael Nadal (ESP)

E o espanhol é o touro miúra que, pelo quarto ano consecutivo, corre atrás do Federer rsrsrs...
3- Novak Djokovic (SER)

Esse sérvio é um dos meus jogadores preferidos. Conseguiu uma evolução incrível esse ano, inclusive ganhando do Nadal e do Federer. Grande talento e grande carisma. Desejo sorte pra ele!
4- Nikolay Davydenko (RUS)

Tudo bem que eu nunca fui com a cara do Davydenko... e por que será que eu nunca me engano com a minha intuição? Estão aí os escândalos das apostas pra provar, em que o russo está sendo acusado de entregar partidas em troca de dinheiro. Deprimente...
5- Andy Roddick (EUA)

A maquininha de aces americana ataca novamente! Mas não acho que o Roddick vai conseguir muita coisa contra grande devolvedores como Federer, Nadal, Djokovic, Ferrer, González e Gasquet.
6- David Ferrer (ESP)

O espanhol ainda parece meio peixe fora d'água no meio dos oito melhores, principalmente pelo nervosismo em momentos decisivos, mas a gente pode esperar muita luta e garra.
7- Fernando González (CHI)

A melhor direita do circuito anda meio destreinada no fim da temporada, mas o chileno é sempre promessa de partidas emocionantes, além de botar a América do Sul no topo!
8- Richard Gasquet (FRA)

Sem palavras. O francês conseguiu a última vaga ao fazer uma campanha brilhante em Paris, onde chegou às semifinais, perdendo para o campeão David Nalbandián (que, infelizmente, ficou de fora da TMC). Outro dos meus jogadores preferidos. Conseguiu o feito de ganhar torneios nas quatro superfícies diferentes esse ano, e tem tudo pra arrebentar ano que vem. Desejo toda a sorte pra ele! Bonne chance! Allez, Richard!
30.9.07
Leonardo Da Vinci
(Leonardo Da Vinci)
Alguém já conseguiu provar que esse cara estava errado em alguma coisa?
And no more explanations...
Sometimes what suits you best
Is not like you meant it to be
All the feelings kept in your chest
One day you’ll have to set them free
You’ve been feeling like walking on clouds
And now all you want is to scream
Cry your pain and your lament out loud
Over the disaster of a broken dream
You wish someone had told you before
That the story could end up like this
You just know you can’t take anymore
You just want all this torment to cease
You wish you had known where you were
And you wish now you knew what to do
When you realize that you might get hurt
And then find it’s inevitably true
When you’re giving yourself away
You never know what you’re gonna get back
If it’s for a lifetime or just for one day
Or even a rope tied around your neck
Or maybe it’s just life finding its way
To give you the things you still lack
It hurts, but you know there will be tomorrow
When time will wipe away all of your sorrow
Among all the things that come and go
It’s just not up to you to decide
Life has its own way to make things flow
And you never know what will come with the tide.
23.9.07
A sua paz, a nossa guerra
O porto-alegrense que tem o seu carro riscado por se recusar a dar R$ 5 a um flanelinha é considerado refém. OK, essa idéia na minha opinião já é bastante preocupante, mas não é o pior. O pior é que, graças a essa idéia, muitas pessoas dão R$ 5, ou R$ 2, ou R$ 1, ou o que for pro flanelinha, essa praga urbana que, a continuar essa situação, vai ter longa vida sugando o dinheiro de gente que trabalha e paga impostos. Pra não terem o seu carro riscado, as pessoas perpetuam um círculo vicioso de abuso, malandragem e bandidagem. E o meu questionamento é muito simples: nossa moral de cidadãos realmente vale assim tão pouco? Um risco na lateral do carro?
Sabe o que eu acho? Façamos uma campanha. Transformemos os riscos nas laterais dos nossos carros nos baluartes da nossa indignação. Desfilemo-nos pelas ruas e orgulhemo-nos deles. Colemos adesivos nos vidros. "Carro riscado em nome da cidadania". Que esses riscos se transformem nas cicatrizes da nossa guerra contra a bandidagem, e que as exibamos felizes como soldados que retornam da batalha.
Eu não sei dizer em que lugar da História da humanidade exatamente aconteceu o grande evento de acomodação coletiva. Que momento foi esse em que resolvemos simplesmente parar de lutar por nossos direitos? Em que passamos a aceitar passivamente que bandidos perturbem nossa segurança, roubem nossas posses e firam nossos entes queridos? Talvez a própria instituição do Estado, a criação do Direito, a centralização do poder de polícia, tudo isso deve ter contribuído para que as pessoas terceirizassem a defesa dos seus direitos. São questões amplas demais pra discutir aqui. Mas tudo isso tampouco justifica que as pessoas abram mão do direito - e diria mais, da obrigação - de não compactuar com as injustiças. Porque o cara que dá cinco pilas pra um flanelinha não riscar o carro dele está sendo cúmplice de um crime contra a sociedade. Está ajudando a perpetuar a conduta impune de um malandro que vai continuar extorquindo pessoas sob a ameaça de riscar seus carros. E continuaremos sempre assim, ao invés de resolvermos os delitos, nós os subornamos e assim vamos empurrando com a barriga. Entregando nossos cinco pilas, nossos relógios, celulares, bolsas... junto entregamos também nossa dignidade.
Como diria a célebre frase de Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. Mas o silêncio dos bons."
Incólume
A conclusão do jornalista que escreveu a reportagem foi de que os porto-alegrenses estão reféns dos flanelinhas.
A minha conclusão é um pouco diferente.
Sei que Porto Alegre é uma terra de "Magals". Magal é uma gíria que se usa aqui pra denominar um cara que tem paixão, digamos, exacerbada por carros. Tipo aqueles caras que botam neón embaixo do carro, bancos de couro, que ocupam o porta-malas inteiro com um som de um milhão de watts PMPO. Talvez, dadas essas circunstâncias, seja normal o cara considerar-se refém de alguém que ameaça riscar a lataria do seu lindo carrinho. E não estou aqui falando de vidro quebrado, pneu rasgado, ou alguma função básica do veículo danificada. Apenas de lataria riscada.
Essa reportagem, na verdade, me enseja duas reflexões, mas, em nome da clareza, vamos por partes.
O que é uma lataria de carro riscada? Pensando um pouco, talvez eu saiba o que é. É como uma espinha na cara, como um band-aid num dedo ornado por um anel de brilhantes, como um remendo numa roupa: é a marca ao mesmo tempo ridícula e gritante da mácula que perturba a incolumidade.
O ser humano tenta a todo custo se manter incólume. E sofre quando algo macula a sua pequena ilusão de perfeição. Há dois mil anos o nosso grande amigo JC disse "Sede perfeitos", mas o ser humano normalmente é como aquele nosso amigo seqüelado que sempre entende a piada errado. Não, JC não estava falando da perfeição do cabelo impecavelmente liso, das roupas indefectivelmente na moda, do corpo esculturalmente talhado, ou do carro de lataria brilhante sem nenhum risquinho. Mas como entendemos tudo errado, lá vamos nós atrás de cirurgias plásticas pra reparar aquele nariz que é meio tortinho, de técnicas de clareamento pra deixar nossos dentes brancos como a neve, ou de personal trainers capazes de reduzir nosso percentual de gordura corporal pra 0,5%. Porque, claro, tudo tem que estar perfeito, e devemos nos manter incólumes.
Pois a minha conclusão sobre o risco feito pelo flanelinha na lateral de um carro porto-alegrense é a seguinte: um risco na lataria de um carro é apenas um pequeno defeito que não compromete em nada a sua funcionalidade. Não é ruim o suficiente pra transformar pessoas em reféns do que quer que seja. Muito menos em reféns da bandidagem. Assim como pequenas imperfeições que, graças à nossa futilidade, se agigantam tanto aos nossos olhos, não são suficientes para "macular" a beleza de ninguém. Assim como, aliás, os pequenos ou grandes defeitos que insistimos em encontrar na aparência alheia não são suficientes para macular o seu valor como seres humanos. Assim como, aliás... eu poderia ficar horas discorrendo sobre a desimportância daquele risco.
Porque o risco que me preocupa é um só: o risco seriíssimo que corremos de acabar perdendo de vez a noção do que é que, afinal, vale alguma coisa nesse mundo.
2.9.07
Sobre corações

E já que estamos aqui mesmo, vamos fazer uns comentários rápidos:
Coração partido é uma m... mesmo. Mas a gente aprende um monte. Tudo na vida é aprendizado - e eu quero dizer tudo mesmo - e as pessoas seriam muito mais felizes se compreendessem isso.
Pior do que o coração partido só o coração fechado. Coração tem que ter as torneiras abertas. Sentiu? Falou. Agiu. Sei lá o quê, mas não deixe parado aí dentro. É a melhor coisa que a gente pode fazer :)
Hoje em dia parece que as pessoas têm vergonha de ter bom coração. Sim, porque nessa selva onde a gente vive a gente tem que ser esperto, tem que ser malandro, tem que dar rasteira no outro antes que ele dê na gente primeiro. Quanta bobagem! A gente passa tanto tempo aprendendo as malícias da vida, endurecendo nosso coração, pra um dia se dar conta de que era muito melhor ter permanecido ingênuo como quando a gente era criança. Ainda bem que, por mais m... que a gente faça, por incrível que pareça a pureza do coração permanece sempre lá :)
3.7.07
4.6.07
Corinne Bailey Rae em Porto Alegre... será???
Tem um post aí embaixo com uma lista dos 10 shows que eu mais gostaria de assistir, e na quarta posição (portanto, não é pouca coisa, hein...) vem o da Corinne Bailey Rae. Também tem um vídeo dela cantando "Till it Happens to You" ao vivo.
Conheci as músicas da Corinne Bailey Rae, aliás as que vão além da estourada "Put Your Records On", graças à Michele, que baixou o CD da internet e botou pra tocar um dia na casa dela, enquanto a gente se arrumava pra sair. Bom, na real, tinha sido eu mesma quem tinha recomendado pra ela a excelente "Like a Star", cujo vídeo eu havia visto no blog do John Mayer (link à vossa direita) juntamente com uma fortíssima figura de expressão (uma chave encaixando na fechadura, e o complemento "É assim que eu me sinto quando ouço isso"). Pois bem, Michele ouviu "Like a Star" e decidiu ir atrás do resto. Aliás, isso é outra coisa pela qual eu tenho que ser muito grata a Deus: meus amigos, além de todos os seus outros predicados, têm um excelente gosto musical, e estão sempre me apresentando novidades que acabam ganhando lugar cativo na minha vida (à exemplo da Rafinha com o John Mayer, e da Ana Paula com o CD da Ana Carolina e Seu Jorge).
Corinne Bailey Rae tem no seu repertório algumas pérolas. A começar pela pop "Put Your Records On": "you don't live a life to try any longer... do what you want to!" é uma exortação que soa como uma porrada mas encerra a sabedoria de todas as eras. "Like a Star" não é difícil de encaixar em qualquer outra pessoa, além do John Mayer. Nessa música, Corinne encontrou uma definição insuperável da entrega e doação a que uma pessoa consegue chegar quando está apaixonada: "I don't argue like this, with anyone but you, I wonder why it is, I won't let my guard down, for anyone but you". Depois veio "Till It Happens to You" e sua inescapável verdade: "you won't believe what love can do till it happens to you", "you can only learn these things from experience"... Então eu tive uma fase mix de Corinne Bailey Rae, especialmente porque todas as músicas dela fazem muito sentido, como "Young and Foolish" (quem nunca foi? Ou ainda é?) e "Venus as a Boy" (melhor música de sedução que eu já ouvi... "his wicked sense of humor suggests exciting sex... his fingers, they focus on her..." uiaaaa rsrsrs Soft, smooth & sexy... simply amazing). Minha última paixão foi "Your Love is Mine", sobre a qual já falei antes, a melhor expressão da delícia que é estar apaixonado ("I feel your kisses on the back of my neck and uhhhhhhh").
Pois então eis que agora eu entro no site da Opus Produções (empresa que costuma trazer muitos shows internacionais a Porto Alegre) e vejo uma enquete perguntando qual desses shows nós gostaríamos de ver este ano: Lily Allen, Corinne Bailey Rae e uma terceira opção que não lembro. Corinne Bailey Rae em Porto Alegre! Dá pra acreditar??? Fingers crossed desde já!
29.5.07
Palavras
Que se escreveu algum dia a alguém
É reviver a ousadia e a coragem
De se expressar o quanto se quer bem
Que no momento foi difícil empreitada
Pela incerteza da correspondência
Por não saber se a pessoa amada
Também nutria essa benquerença
O simples fato de agora saber
Que tão doce mensagem foi um dia proferida
É suficiente para enternecer
E renovar a esperança na vida
Mesmo sabendo que um outro caminho
Veio a trilhar aquele terno sentimento
E que ele veio a fenecer sozinho
Morto à míngua, abandonado ao desalento
Pois é assim que o tempo traz sabedoria
É sentimento como aquele que, perdido,
Pouco a pouco vai deixando a alma vazia
E o coração pétreo e desiludido
Embora me alegre saber que um dia existiu
Em algum lugar, um tão belo sentimento
Naquele momento o que mais me feriu
Foram as palavras jogadas ao vento
E ainda que tivesse o coração cheio de alegria
Pela emoção das esperanças renovadas
Naquele momento o que mais me doía
Eram as palavras desperdiçadas.
Perturbação mental
Se importar com as pessoas é uma coisa estranha. Por muitas vezes, a gente tem a sensação de estar doando uma parte muito boa de nós mesmos para gente que não merece. E enquanto isso, gente boa (como nós mesmos) não está recebendo uma parte muito boa de ninguém. Mas as coisas são assim mesmo. A vida é justa, não lógica. Pelo menos não na nossa logicazinha de B + A = BA, 2 + 2 = 4 etc.
Por isso o ser humano precisa se descabelar, fazer terapia e tomar uns porres de vez em quando. E escrever poesia, que também ajuda.
Palavras desperdiçadas dóem em quem as proferiu. Mas reconfortam quem toma conhecimento delas. Eis, aliás, a grande virtude de toda dor: ser reconfortante (pelo alívio ou pela solidariedade). E, acima de tudo, doerão muito mais, algum dia, em quem as houver desperdiçado.
(Este post é um intróito para a poesia "Palavras", no post acima)
27.5.07
Mais um teste de personalidade com 100% de acurácia
"Seu modo principal de viver é focado externamente, de onde você absorve os fatos primariamente através de sua intuição. Seu modo secundário é focado internamente, onde você lida com as coisas de acordo com a maneira como você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema de valores pessoais.
Você é uma pessoa calorosa, entusiasmada, tipicamente muito inteligente e cheia de potencial. Você vive num mundo de possibilidades, e pode ficar muito apaixonado e entusiasmado com as coisas. Seu entusiasmo dá a você a habilidade de inspirar e de motivar os outros, mais do que é constatado em outras pessoas. Você tem a habilidade de conseguir o que você quiser com o seu papo. Você ama a vida, vendo-a como um dom especial, e luta para tirar o máximo proveito dela.
Você tem uma variedade incomum de habilidades e de talentos, e é bom em quase tudo o que te interessa. Orientados a trabalhar com projetos, você pode acabar encarando várias carreiras diferentes durante sua vida. Para quem observa de fora você pode parecer perdido e sem objetivo, mas é na verdade muito consistente, pois possui um senso de valores que você utiliza como uma lei que rege a sua vida. Aliás, tudo o que você faz deve estar alinhado com seus valores. Você precisa sentir que está vivendo sua vida como você mesmo, andando de acordo com o que você acha certo. Você vê significado em tudo, e está numa batalha contínua para adaptar sua vida e seus valores para conseguir atingir uma paz pessoal. Você está sempre ciente e inclusive preocupado em perder contato consigo mesmo. Como a empolgação emocional é normalmente muito importante em sua vida, e como você está sempre focado em estar com sua vida alinhada, você acaba freqüentemente sendo um indivíduo intenso, de valores altamente desenvolvidos.
Você necessita se focar em terminar os projetos que você começa. Este pode ser um grande problema para você. Diferentemente de outras pessoas extrovertidas, você precisa de tempo sozinho para encontrar seu equilíbrio, e para ter certeza que você está em sintonia com seus valores. Se você se mantiver equilibrado, é muito provável que você tenha obtenha sucesso em seus projetos. Então, não caia no hábito de sair rapidamente de um projeto quando você se animar com uma nova possibilidade, pois você pode acabar nunca atingindo os grandes objetivos que você pode atingir.
Você tem uma ótima capacidade de lidar com as pessoas. Você é genuinamente caloroso e interessado por elas, e coloca uma grande importância em suas relações com os outros. Você quase sempre tem uma grande necessidade de que os outros gostem de você. Especialmente numa idade mais jovem, pessoas como você tendem a demonstrar entusiasmo excessivo para com outras pessoas, exagerando no esforço para ser aceito. No entanto, assim que você aprender a equilibrar sua necessidade de ser verdadeiro para consigo mesmo, com sua necessidade de ser aceito pelos outros, você se tornará ótimo em trazer à tona o melhor que cada pessoa tem a oferecer, e será bem aceito por todos. Você tem uma habilidade excepcional de entender intuitivamente as pessoas após pouco tempo, e de usar sua intuição e flexibilidade para se relacionar com os outros no nível deles.
Por viver num mundo de possibilidades empolgantes, os detalhes do dia-a-dia são vistos como desagradáveis trivialidades. Você não coloca importância em tarefas detalhadas e de manutenção, e freqüentemente nem está ciente dessas questões. E quando você realmente tem que realizar essas tarefas, você não tem prazer em fazê-las. Essa realmente é uma área desafiadora para as pessoas como você, e pode se tornar algo frustrante para seus familiares.
Se você acabar indo para o “mau caminho”, pode se tornar um tanto manipulativo –e muito bom nisso. O talento de ser persuasivo com o qual você foi abençoado faz com que você consiga o que quer de maneira natural e fácil. Porém, na maioria das vezes você não irá abusar destas habilidades, pois estas não se encaixam com seu sistema de valores.
Às vezes você também comete erros de julgamento graves. Você tem uma habilidade incrível de perceber intuitivamente a verdade sobre uma pessoa ou situação, mas quando você aplica um julgamento à sua percepção, você pode chegar a conclusões erradas.
Se você não aprender a levar as coisas que você começar até o final, você pode encontrar dificuldades em se manter feliz em casamentos. Sempre vendo as possibilidades do que pode ser, você pode se cansar do que realmente é. O forte senso de valores irá te manter você dedicado às suas relações. No entanto, como você gosta de um bocado de animação na sua vida, se dará melhor com pessoas que se sintam confortáveis com mudanças e com novas experiências.
Ter um pai como você pode ser uma experiência muito divertida, mas pode ser uma experiência estressante para crianças com fortes tendências concretas ou de organização. Estas crianças podem ver seus pais como inconsistentes e difíceis de entender, à medida que são carregadas por esse redemoinho que é a vida do pai. Algumas vezes você desejará ser o melhor amigo de seus filhos, e em outras vezes fará o papel do pai autoritário. Mas você seu sistema de valores é sempre consistente, o que impressionará suas crianças mais que tudo, juntamente com sua simples felicidade de viver.
Você é basicamente uma pessoa feliz, mas pode se tornar infeliz se confinado a horários estritos e a tarefas mundanas. Consequentemente, você trabalha melhor em situações onde você tenha muita flexibilidade e onde você possa trabalhar com pessoas e com idéias. Uma ótima idéia seria a de você abrir seu próprio negócio! Você tem a capacidade de ser altamente produtivo mesmo com pouquíssima supervisão, apenas necessitando que você esteja entusiasmado com o que você está fazendo.
Por ser tão alerta e perceptivo, constantemente analisando o ambiente ao seu redor, é bem provável que você sofra de tensão muscular. Você tem uma grande necessidade de ser independente, e resiste a ser controlado ou rotulado. Você precisa manter o controle sobre si mesmo, mas não acredita em controlar os outros. Sua necessidade de independência e de liberdade se estende tanto a si próprio, quanto aos outros.
Você é uma pessoa charmosa, engenhosa, que se arrisca, sensível, voltada às pessoas, e com capacidades de todos os tipos. Você tem muitas qualidades que irá utilizar para se satisfazer na vida (e também àqueles próximos a você) se conseguir se manter equilibrado, e dominando sua capacidade de levar até o fim o que você começar."
Perfect!!!
16.4.07
15.4.07
Sabedoria de Domingo
Trecho da coluna de hoje da sempre genial Martha Medeiros, que fala sobre ser escravo da própria liberdade:
"No final das contas, fiquei com a impressão de que a liberdade é um conceito relativo. Todas as teorias são claustrofóbicas, pois a tendência é sermos engolidos por elas e nos vermos obrigados a seguir um rumo que talvez não seja condizente com nossa verdadeira inclinação emocional. Seguir nosso desejo é o que nos torna livres, e o desejo é variável, mutante, inclassificável - não pode ser considerado moderno ou antigo, é o que é."
Essa busca frenética pela liberdade, que acaba se transformando em mais uma forma de escravidão, entra naquele outro tema da auto-definição que perturba todas as pessoas. Todo mundo está atrás de sua identidade, de seu significado, de sua verdadeira essência. É certo que, para encontrar o seu verdadeiro eu, a liberdade é fundamental. Porém o ser humano, em sua visão tacanha e incapacidade de expandir seus conceitos acanhados, acaba se rotulando, se encaixando em padrões pré-estabelecidos ao invés de reinventá-los, e com isso acaba se prendendo mais ainda ao invés de se libertar. A mentalidade fechada das pessoas impede que elas reconheçam a infinidade de possibilidades que a vida oferece, impede que encontrem a verdadeira liberdade. Mas a busca por si só já é um bom começo. É como está na frase de "Encontros e Desencontros": Quanto mais você sabe quem você é, e o que você quer, menos as coisas te perturbam.
Outra resposta para indagações íntimas veio no Horóscopo de domingo:
"Eis que a única coisa certa na vida é a mudança. Hãn? Certo, nem sempre a mudança é boa, para melhor, mas é legal estar preparado, particularmente nas expectativas em relação a pessoas. Alguém pode furar o seu balão, mesmo sem querer. Mas, ora, um leonino criativo como você sempre tem um plano B embaixo da juba."
Alguém pode furar o seu balão... hehehe. Realmente os "sinais" não cansam de reafirmar para mim a condição de mutabilidade e impermanência da vida. E não cansam de me dizer que nessa louca jornada não devemos nos apegar a nada. O desapego é algo difícil de conseguir, mas é inevitável. Uma hora ou outra vamos nos confrontar com ele, lembrando que realmente era a coisa mais certa a fazer. Todas as pessoas - repito todas - vão te deixar na mão algum dia. Eu achei que já tinha aprendido bem essa lição, mas é sempre bom relembrar. E você tem que ter um plano B. Tem que ser desapegado. Deixar que as pessoas venham e vão da sua vida conforme o fluxo natural das coisas.
Pra completar, até no Saia Justa de ontem estavam falando sobre isso. "Quando você se despe de tudo, de todos os seus papéis e personagens, qual é a verdade que sobra? Qual é a essência?", questionavam. E a mesma idéia estava até no final de "Encontro Marcado", que passou na TV anteontem, quando o personagem de Anthony Hopkins dá uma última olhada para trás e comenta com a Morte encarnada por Brad Pitt: It's hard to let go, isn't it?
A essência: a única coisa que importa de verdade. Que vai estar lá depois que você se despir de todos os papéis, personagens, depois que você tiver que abandonar toda a vida estruturada e portentosa que conseguiu construir em tantos anos, depois que você se vir livre de todos os rótulos e paradigmas, depois que todos te deixarem na mão, qual vai ser o plano B? A essência...
Moral da história? Danem-se todos esses opcionais que vamos acumulando ao longo do caminho, crentes de que estamos fazendo um baita upgrade em nós mesmos. Não cultive papéis, paradigmas, não cultive os rótulos que você criou para si mesmo ou em que as outras pessoas se esforçam pra te encaixar. Não cultive demais as suas "conquistas", sejam elas objetos, pessoas ou simplesmente histórias pra contar. Tudo isso se vai pelo caminho, e no final das contas só resta a sua essência. Cultive o que você é.
13.4.07
Besteiras Antológicas que Alguém Falou - 1
Beadier: Omg, Mike... when are you gonna pass a bullet through your brains? Tape it and then youtube it! ^_^
Que o sagaz Mike não deixou passar...
Mike: that would be one helluva trick... blowing my brains out and then putting it on youtube eh
Realmente... estourar os próprios miolos, filmar e depois pôr o vídeo no Youtube seria um truque e tanto rsrsrs ;)
10.4.07
Segunda Chance
Eu assisti a um trecho de "Encontros e Desencontros" há muito tempo atrás, zapeando na TV a cabo de madrugada. Confesso que me detive apenas alguns minutos, e logo mudei de canal. O filme me pareceu chatíssimo. Desde então, ouvi muitas pessoas falarem bem desse filme, mas apesar disso nunca havia tido vontade de vê-lo de novo. Ou de, na realidade, vê-lo e ponto, já que alguns minutos não valem o filme inteiro. Mas apenas tinha ficado com aquela primeira impressão ruim, de "filme chato".
Outro dia, assistindo a 24 Horas na TV a cabo, de repente no intervalo apareceu uma propaganda desse filme, que estava estreando na Fox. A propaganda mostrava algumas cenas do filme, aquele sightseeing todo de Tóquio, e enquanto aparecia a Scarlett Johansson sentada na janela de um trem, com fones de ouvido na cabeça, olhando para o dia cinzento lá fora, a voz do dublador do Bill Murray dizia a frase que me fascinou tanto a ponto de me fazer querer dar uma nova chance e ver "Encontros e Desencontros" de novo:
"Quanto mais você sabe quem você é, e o que você quer, menos as coisas te perturbam."
Não sei em que parte do filme ela se encaixa, ou qual o significado dela na história. Mas essa frase pronunciada numa propaganda na Fox foi a segunda chance de "Encontros e Desencontros" para mim.

Não deu certo da primeira vez? Deixa quieto. Sabe lá quando é que aquilo vai cruzar o teu caminho de novo, talvez se apresentando de uma forma completamente diferente. Afinal, a vida é feita de encontros, desencontros e, principalmente, reencontros.
Que 24 horas que nada...
Só para que fique claro: eu adoro 24 Horas! Não perco um episódio. Porém, essa não é a questão principal. Outro dia, baixando da internet uns episódios de Prison Break, eu me dei conta de algo fantástico: Que 24 horas que nada!!! Cada episódio baixado - de qualquer série dessa leva, como Lost, Prison Break ou 24 Horas - tem por volta de 42 minutos, com uma variação de alguns segundos para mais ou para menos. Claro que na TV, principalmente com todos aqueles comerciais chatíssimos da Fox, a gente nem nota, mas a grande verdade é essa: Jack Bauer na realidade não tem 24 horas pra salvar o planeta (OK, os EUA), mas apenas 16,8 horas!!! Sim, na verdade ele faz tudo aquilo em muito menos tempo do que nós imaginávamos. Quem diria... Jack Bauer é muito mais intrépido do que a gente pensava...

Jack Bauer é o cara! 24 horas é tempo que dá e sobra...
6.4.07
9.3.07
One Fine Day
Na verdade, eu queria comprar um livro, que estava em falta na Saraiva, por isso saí de mãos abanando. Mas em casa, mais tarde, comprei o livro mais barato pela internet. Isso é uma das coisas que me fascinam no mundo moderno: hoje paguei umas quantas contas e comprei o livro que queria pela internet. Realmente fantástico.
Hoje assisti a Lost e a um filme muito simpático que eu havia alugado em DVD: "Tudo Acontece em Elizabethtown". Desses filmes que colocam a gente pra cima e mostram que uma outra visão das coisas é sempre possível. E uma nova esperança no inesperado, também (por mais paradoxal que isso pareça).
Hoje voltei a postar em uma das minhas comunidades preferidas do Orkut, a do Roger Bottini Paranhos. É legal voltar a discutir assuntos "sérios", a gente sente como se estivesse espanando a poeira dos neurônios.
Hoje fiz um Mapa Astral Natal da minha mãe e do meu irmão (no mesmo site onde fiz o meu próprio, que se encontra alguns post abaixo), e me diverti horrores lendo pra eles, e constatando que o deles também apresentou 100% de acurácia.
Hoje eu malhei ao som da Corinne Bailey Rae. E não consigo tirar essa música "Your Love is Mine" da cabeça. De todas as músicas de amor que eu já ouvi, essa é a que traduz de forma mais alegre e despretensiosa a delícia que é estar apaixonado por alguém.
Hoje eu pude me orgulhar da minha disciplina e da minha tenacidade. E voltei a ter aquela sensação, perdida há tanto tempo para mim, de dever cumprido, de estar indo no caminho certo.
Hoje eu li um capítulo de "Moisés - O Libertador de Israel", onde o Grande Legislador desfila demonstrações do seu temperamento magnífico, ora desafiando o homem que era considerado um deus, ora "domando" a ignorância de seu povo com suas palavras marcantes, ora chorando de saudades da esposa - sua Estrela, como ele a chamava - e do filho que acabara de nascer, misturando sentimentos de amor, compaixão, severidade, indignação e acima de tudo uma fé inabalável na sua missão.
Hoje eu conversei pelo MSN com o meu amigo André, uma das pessoas mais incríveis que eu já (ou deveria dizer não rsrs) conheci. Quer dizer, por "conversar" entenda-se a grande maldade de minha parte de mantê-lo acordado por uma hora a mais do que o devido.
Hoje eu estava gritando Wilsonnnnnnnnnn no Orkut, porque estou com saudades de uma amiga que não aparece há alguns dias, que parecem milênios. (Where the hell are you, Rafinha?)
Hoje eu me peguei rindo à toa várias vezes. Hoje eu me peguei repelindo instantaneamente qualquer tipo de pensamento negativo, melancólico, severo. De alguma forma, todas essas pequenas coisas que aconteceram no dia de hoje me fizeram recuperar algo que andava perdido há algum tempo. De alguma forma, eu senti uma confiança renovada na vida, nas pessoas, no amor, no destino... Hoje eu tive a doce e suave sensação de estar simplesmente seguindo no caminho certo.
E não, não fui eu quem ganhou a Mega-Sena acumulada aqui em Porto Alegre hehehe. Mas eu tenho a minha vida, quem precisa de 40 milhões? ;)
27.2.07
Mapa Astral Natal

SOL EM LEÃO, ASCENDENTE EM GÊMEOS - A Defesa de Princípios
Um certo gosto pela polêmica é natural na combinação de Leão com Gêmeos num só mapa. Você aprecia os debates, e defende fervorosamente os seus pontos de vista, deixando as pessoas perplexas com a sua velocidade de raciocínio. Precisa, entretanto, tomar cuidado com uma certa postura de "a verdade é minha" e aproveitar melhor uma das maiores qualidades do seu mapa: a comunicação.
Você provavelmente sempre tem algo a dizer sobre os mais diversos assuntos, e isso é o resultado da notável inteligência do ascendente em Gêmeos, muito embora nem sempre seja sábio dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Você percebe as coisas rapidamente, é uma pessoa antenada em relação às coisas que estão acontecendo, mas corre o risco de fazer julgamentos precipitados, que se baseiam em fatos parciais. Gosta de ler, de viajar, de se movimentar, e provavelmente é uma pessoa que fascina e cativa as pessoas ao redor, pois tanto Leão quanto Gêmeos são dois signos de extremo bom humor - às vezes até mesmo de uma língua meio ferina, mas tudo bem, os outros agüentam.
Possui um sistema nervoso sensível e pode vir a ter problemas em decorrência de stress, de sobrecargas mentais, de estafa cerebral. Por isso lhe recomendo ativamente alguma forma de meditação, algo que lhe permita relaxar internamente. O problema aqui não é nem tanto a tensão muscular, mas, sobretudo, a tensão cerebral.
Gostei dessa análise. 100% de acurácia.
"Os outros agüentam" foi ótimo hahahahahahahahaha....
25.2.07
Opinião Viciada
Tenho um amigo, Christian, também parceiro de cinefilia, que costumava sacanear as minhas críticas cinematográficas quando tinha algum ator bonito no cast, dizendo que minha opinião estava "viciada". Eu sempre morri de rir disso, especialmente porque algumas vezes era verdade mesmo. Há alguns anos atrás eu realmente gostava muito de escrever críticas de cinema, escrevia sobre quase todo filme novo que eu via, no site E-Pipoca (minha página ainda está lá, embora completamente desatualizada: E-Pipoca), participava de concursos, cheguei até a assistir filme de graça em pré-estréia e ganhar uma camiseta, embora tenha ficado meio sentida de perder a viagem a Paris no concurso da Veiga de Almeida. E, bem, realmente padeci de alguns casos de opinião viciada, como quando os belos olhos do Matt Damon me fizeram escrever que "Onze Homens e um Segredo" era um clássico. Shame on me! A propósito, não me perguntem por que o Matt Damon e não o Brad Pitt ou o George Clooney... se bem que obviedades não são mesmo a minha praia.
O engraçado é que há muito tempo eu não vinha tendo essas opiniões "viciadas" sobre filmes. Constatei que, à medida que vamos vivendo, vamos também perdendo a capacidade de ver apenas o lado bom das pessoas. Tem tudo a ver com a perda da ingenuidade. Com a maturidade, torna-se impossível não enxergar as mazelas dos seres humanos, e conseqüentemente fica bem mais difícil se deixar iludir, mesmo pela feérica fantasia do cinema. Mas hoje cheguei bem perto dessa sensação de novo. "Loucos de Paixão" não serviu apenas pra me fazer descobrir uma música que eu buscava há tempos. Sim, eu gostei muito do filme, e talvez não seja apenas uma opinião viciada. A personagem e a atuação de Susan Sarandon são magistrais. Confesso que aquela personalidade é meu sonho de consumo: passar o tempo inteiro falando a mais absoluta verdade, sem freios ou papas na língua. O discurso dela ao ganhar um aspirador de pó de presente do namorado é simplesmente antológico.
Mas uma coisa não posso negar: que o James Spader de 17 anos atrás deu uma bela forcinha, isso deu. Ele está parecendo uma versão loira e melhorada do John Mayer (incluindo até aquela voz grave), que ainda põe "O Mio Bambino Caro" pra tocar numa voltinha de carro. E ele ainda aparece no filme como veio ao mundo, com tudo devidamente em seu lugar... Bom, mas o tempo deve ter mudado muito o James Spader, o John Mayer está com a cara mais redonda a cada dia e - pior - namorando a Jessica Simpson... mas felizmente o cinema é apenas uma fantasia feérica mesmo.
E pra completar tudo isso ainda descubro que o António Martínez Cascales tem casa na Bahia... Pra quem vai cada vez mais se acostumando com as desilusões da vida, não é nada mau ter boas surpresas de vez em quando ;)
Mas na real mesmo... acho que o responsável por eu ter gostado de "Loucos de Paixão" não foi nem a Susan Sarandon nem o James Spader. Foi meu alter ego de 43 anos, que estará daqui a duas décadas certamente namorando rapazes de 27 hahahaha...
OBS: Pois é, o quarto parágrafo não é pra fazer muito sentido mesmo (ao menos não para o público geral hehehe)
Na Companhia de Livros II
Aqui, na interpretação de Leontyne Price, "O Mio Bambino Caro", da ópera Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini.
OBS: é muito mais incrível ao vivo :)
22.2.07
The silhouette

Nada mais é do que a silhueta da foto que ilustra a capa do álbum "Heavier Things".

Talvez seja só minha mente pervertida. Mas que é estranho, é...
13.2.07
Certezas
Não é todo dia que você adentra um recinto e diz "meu futuro está aqui". Ou o começo dele, evidentemente. É uma certeza boa de se ter. Eu não sei o que esperar da vida em muitos aspectos. Não sei se vou plantar uma árvore, escrever um livro, pular de pára-quedas, assistir a uma final de Roland Garros, tirar uma foto com o Juan Carlos Ferrero, ir a um show do U2, sentar na primeira fila numa apresentação do John Mayer, aprender russo, caminhar pelas ruínas do império Inca no Peru... Não sei se vou me casar, se vou ter filhos, quantos vou ter, se vou ter um cachorro labrador no quintal, se vou ter uma casa de praia com piscina e vista pro pôr-do-sol, se vou ter um Citröen C3 ou um Honda Civic, se vou aparecer de suspresa na casa da minha mãe pra matar as saudades, se vou ter cunhada e sobrinhos, se vou ter padrasto, se vou testemunhar muitos enterros e nascimentos, se vou dizer "eu te amo pra alguém" algum dia...
Mas uma coisa eu sei: vou ser diplomata.
5.2.07
Guldunya
Filha de um tradicional clã de sua cidade natal, Bingol, Guldunya caiu em desgraça ao se apaixonar por um primo casado, iniciar um romance com ele e, mais tarde, engravidar.
Com a descoberta da gravidez, a família de Guldunya a manteve presa em casa, até que se descobrisse toda a história. Os irmãos de Guldunya tinham outros planos pra ela. Queriam que se casasse com outro homem, mas aquela gravidez era deveras inconveniente.
Guldunya foi levada a Istambul para que desse à luz clandestinamente. Porém, isso não foi suficiente. A vergonha de ter uma irmã gerando um filho fora do casamento, dentro da própria família, de um primo casado, a mácula irrecuperável na honra do clã, foram intensas demais para suportar.
Os dois irmãos de Guldunya tentaram matá-la a tiros. Ela milagrosamente sobreviveu, e foi hospitalizada. Poucas horas depois, um dos irmãos entrou no hospital e terminou o serviço, limpando a honra da família.
Estima-se que, a cada ano, pelo menos cem mulheres morrem na Turquia por esse mesmo motivo.
O que mais me impressiona nessa notícia, que eu li hoje à noite no jornal de domingo, é a forma perfeita como ela ilustra a bestialidade do machismo arcaico e obsoleto que - pasmem - ainda sobrevive em pleno século 21.
Cem mortes de mulheres ao ano em um país, por crimes de honra, é muito. Quase uma morte a cada três dias. Mas o mais espantoso é que a estatística computa somente os casos que terminam em tragédia, como o de Guldunya. Casos de pessoas dentro do próprio seio familiar, irmãos, que cresceram juntos e compartilharam uma vida inteira de convivência, e chegam ao cúmulo de apertar um gatilho para ceifar a vida do outro.
Por trás dessas estatísticas, a realidade é a de um ódio que se enraíza sorrateiramente em muitas famílias. A sociedade sexista, que incute valores ultrapassados na cabeça das pessoas, faz com que muitos homens se achem no direito de julgar o comportamento de suas irmãs, primas, mães e tias. E esse julgamento velado se transforma num verdadeiro câncer social, que invariavelmente explode em situações como a de Guldunya. A ignorância, a intolerância, o preconceito e a hipocrisia criam um abismo muitas vezes intransponível entre homens e mulheres, que se manifesta muitas vezes não sob a forma de um tiro, mas de um olhar, de um gesto ou de uma palavra de reprovação, vindos de onde se espera apoio, respeito, carinho e consideração. Ninguém - homem ou mulher, familiar ou não - pode se arvorar juiz da moral alheia.
Eu não vivo na Turquia e seria absolutamente infeliz me comparar à situação de Guldunya. O Ocidente é mais liberal, não vivemos sob a égide do Islã, não precisamos botar um véu na cabeça para andar na rua. Mas acho que esse é um sentimento compartilhado pelas mulheres em qualquer lugar do mundo. Eu tenho um irmão, um ano mais velho do que eu, que constantemente manifesta esse tipo de julgamento. Minhas amigas, por exemplo, ele não qualifica pelo caráter, inteligência, personalidade. Seu critério pra determinar uma mulher que "presta" ou não - quem é ele, ou qualquer um, pra julgar? - é unicamente o comportamento sexual. Pra ele as mulheres se enquadram em duas categorias: ou dão bastante, ou estão loucas pra dar. Trabalhadoras? Honestas? Boas mães, filhas ou irmãs? Inteligentes? Autênticas? Nada disso importa. Computemos o número de homens que já passaram pela sua cama.
Meu irmão certa vez proferiu esta pérola (como isso foi há muito tempo atrás, eu espero sinceramente que ele já tenha mudado de opinião): "Pra mim, à exceção da minha mãe e da minha irmã, todas as mulheres no mundo são putas, até prova em contrário". Eu acho que hoje em dia ele já deve ter mudado essa opinião, nem que tenha sido pra excluir alguém do rol de exceções.
O que mais me impressiona em tudo isso é que homens não levam em conta o curriculum vitae sexual de outros homens na hora de construir suas amizades. Ao contrário, muitas vezes a promiscuidade masculina conta pontos a favor, conferindo uma boa fama ao garanhão pegador. Já quando se trata de mulheres, a primeira coisa a ser analisada é justamente isso. E essa constatação não é um libelo em defesa da promiscuidade feminina, mas contra a hipocrisia reinante na sociedade atual. Porque, até onde me consta, à exceção das desculpas científicas esfarrapadas que pretendem nos convencer de que os homens têm mais necessidade de sexo do que as mulheres, não foi baixado ainda nenhum decreto estabelecendo códigos morais diferenciados para homens e mulheres.
O comportamento de pessoas como os irmãos que condenaram Guldunya se assemelha ao dos vegans que fazem campanhas incansáveis contra o consumo de carne. Com tantas outras coisas mais importantes no mundo, tem gente se preocupando com isso - com o perdão do trocadilho, literalmente com o que os outros comem. Eu me pergunto por que, ao invés de nos ocuparmos com questões de foro íntimo de cada um, não gastamos nosso tempo pensando em como minimizar os efeitos do aquecimento global, da fome e da miséria no mundo. Mas enquanto mulheres são apedrejadas até a morte por adultério no Oriente Médio, genocidas que comandam o lançamento de bombas sobre populações inocentes continuam desfrutando do poder como os grandes comandantes do mundo.
Homens? Mulheres? Antes de mais nada, seres humanos.
3.1.07
Quarta-feira cinza
Por alguma razão, resolvi andar hoje, logo hoje, esse dia de chuva torrencial. Fui buscar as correspondências no meu prédio antigo. Essa tarde chuvosa me deu vontade de alugar DVDs, sentar na poltrona de casa e ver um bom filme, filmes sempre confortam a gente. Então fui até a locadora. Depois, fui até os Correios comprar uma caixa de SEDEX. Um dos melhores momentos do meu final de ano em 2006 foi receber o presente de uma amiga querida que nem me conhece pessoalmente, mora no Guarujá (SP), e quase derreteu o meu coração com aquele CD do John Mayer, aquela bolinha de tênis (Wilsonnnnnnnnnnn!!! Pra quem tem sensibilidade e gosta de cinema, é uma maneira singela de dizer "você nunca estará sozinho") e aquela carta absurdamente emotional. Ficou faltando meu presente pra ela, por isso a caixa de SEDEX. Me diverti no finzinho de tarde fazendo embrulhos, cuidando para que os presentes ficassem devidamente protegidos contra as eventuais trepidações da entrega, e não quebrassem no caminho. Papéis de presente, etiquetas de Natal, coisas singelas. Em cima da mesa, uma bebida gelada (continua quente em Porto Alegre), uma caixa de chocolates - presente de Natal que miraculosamente atravessou incólume as últimas semanas, o novo CD do John Mayer tocando no meu ouvido pela primeira vez. Adoro dar presentes. Adoro dar presentes a pessoas que os merecem.
A poesia desse fim de tarde chuvoso em Porto Alegre se deu num curto espaço de tempo entre as 17h e 20h de hoje, e se sucedeu a 7 horas de trabalho estafante, física, emocional e psicologicamente desgastante. Quando tudo parecia dar errado, o corpo se exaurindo em calor, abafamento e atividade repetitiva ininterrupta, a mente ameaçando atingir o limiar da sanidade, a fina camada de pensamento positivo* se dilatando quase a ponto de não poder conter a explosão de sentimentos negativos... Então desaba chuva em Porto Alegre. Levando as impurezas embora, como um choro da Terra.
Que me perdoe Aton, mas hoje a chuva em Porto Alegre me salvou.
* não dá pra deixar de ver "Quem Somos Nós".







