30.9.07

Leonardo Da Vinci

"Onde há muito sentimento, há muita dor."
(Leonardo Da Vinci)


Alguém já conseguiu provar que esse cara estava errado em alguma coisa?

And no more explanations...

YOU NEVER KNOW


Sometimes what suits you best
Is not like you meant it to be
All the feelings kept in your chest
One day you’ll have to set them free

You’ve been feeling like walking on clouds
And now all you want is to scream
Cry your pain and your lament out loud
Over the disaster of a broken dream

You wish someone had told you before
That the story could end up like this
You just know you can’t take anymore
You just want all this torment to cease

You wish you had known where you were
And you wish now you knew what to do
When you realize that you might get hurt
And then find it’s inevitably true

When you’re giving yourself away
You never know what you’re gonna get back
If it’s for a lifetime or just for one day
Or even a rope tied around your neck
Or maybe it’s just life finding its way
To give you the things you still lack

It hurts, but you know there will be tomorrow
When time will wipe away all of your sorrow
Among all the things that come and go
It’s just not up to you to decide
Life has its own way to make things flow

And you never know what will come with the tide.

23.9.07

A sua paz, a nossa guerra

Ainda sobre o flanelinha, os R$ 5, a lataria riscada. A outra reflexão que essa reportagem me provocou é a respeito de nosso senso de valor dentro desse cenário de caos e violência urbana onde vivemos hoje.

O porto-alegrense que tem o seu carro riscado por se recusar a dar R$ 5 a um flanelinha é considerado refém. OK, essa idéia na minha opinião já é bastante preocupante, mas não é o pior. O pior é que, graças a essa idéia, muitas pessoas dão R$ 5, ou R$ 2, ou R$ 1, ou o que for pro flanelinha, essa praga urbana que, a continuar essa situação, vai ter longa vida sugando o dinheiro de gente que trabalha e paga impostos. Pra não terem o seu carro riscado, as pessoas perpetuam um círculo vicioso de abuso, malandragem e bandidagem. E o meu questionamento é muito simples: nossa moral de cidadãos realmente vale assim tão pouco? Um risco na lateral do carro?

Sabe o que eu acho? Façamos uma campanha. Transformemos os riscos nas laterais dos nossos carros nos baluartes da nossa indignação. Desfilemo-nos pelas ruas e orgulhemo-nos deles. Colemos adesivos nos vidros. "Carro riscado em nome da cidadania". Que esses riscos se transformem nas cicatrizes da nossa guerra contra a bandidagem, e que as exibamos felizes como soldados que retornam da batalha.

Eu não sei dizer em que lugar da História da humanidade exatamente aconteceu o grande evento de acomodação coletiva. Que momento foi esse em que resolvemos simplesmente parar de lutar por nossos direitos? Em que passamos a aceitar passivamente que bandidos perturbem nossa segurança, roubem nossas posses e firam nossos entes queridos? Talvez a própria instituição do Estado, a criação do Direito, a centralização do poder de polícia, tudo isso deve ter contribuído para que as pessoas terceirizassem a defesa dos seus direitos. São questões amplas demais pra discutir aqui. Mas tudo isso tampouco justifica que as pessoas abram mão do direito - e diria mais, da obrigação - de não compactuar com as injustiças. Porque o cara que dá cinco pilas pra um flanelinha não riscar o carro dele está sendo cúmplice de um crime contra a sociedade. Está ajudando a perpetuar a conduta impune de um malandro que vai continuar extorquindo pessoas sob a ameaça de riscar seus carros. E continuaremos sempre assim, ao invés de resolvermos os delitos, nós os subornamos e assim vamos empurrando com a barriga. Entregando nossos cinco pilas, nossos relógios, celulares, bolsas... junto entregamos também nossa dignidade.

Como diria a célebre frase de Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. Mas o silêncio dos bons."

Incólume

Li uma reportagem no jornal de hoje que falava sobre um caso de abuso e desrespeito muito comum em Porto Alegre e em qualquer capital brasileira hoje em dia: uma pessoa deixou seu carro estacionado na rua, sob o imediato assédio de um flanelinha, que lhe cobrou R$ 5 de "adiantamento" para "cuidar" do carro. Negou-se a pagar, foi fazer o que tinha pra fazer e, quando voltou, viu que seu carro estava riscado em toda a lateral.

A conclusão do jornalista que escreveu a reportagem foi de que os porto-alegrenses estão reféns dos flanelinhas.


A minha conclusão é um pouco diferente.

Sei que Porto Alegre é uma terra de "Magals". Magal é uma gíria que se usa aqui pra denominar um cara que tem paixão, digamos, exacerbada por carros. Tipo aqueles caras que botam neón embaixo do carro, bancos de couro, que ocupam o porta-malas inteiro com um som de um milhão de watts PMPO. Talvez, dadas essas circunstâncias, seja normal o cara considerar-se refém de alguém que ameaça riscar a lataria do seu lindo carrinho. E não estou aqui falando de vidro quebrado, pneu rasgado, ou alguma função básica do veículo danificada. Apenas de lataria riscada.

Essa reportagem, na verdade, me enseja duas reflexões, mas, em nome da clareza, vamos por partes.

O que é uma lataria de carro riscada? Pensando um pouco, talvez eu saiba o que é. É como uma espinha na cara, como um band-aid num dedo ornado por um anel de brilhantes, como um remendo numa roupa: é a marca ao mesmo tempo ridícula e gritante da mácula que perturba a incolumidade.

O ser humano tenta a todo custo se manter incólume. E sofre quando algo macula a sua pequena ilusão de perfeição. Há dois mil anos o nosso grande amigo JC disse "Sede perfeitos", mas o ser humano normalmente é como aquele nosso amigo seqüelado que sempre entende a piada errado. Não, JC não estava falando da perfeição do cabelo impecavelmente liso, das roupas indefectivelmente na moda, do corpo esculturalmente talhado, ou do carro de lataria brilhante sem nenhum risquinho. Mas como entendemos tudo errado, lá vamos nós atrás de cirurgias plásticas pra reparar aquele nariz que é meio tortinho, de técnicas de clareamento pra deixar nossos dentes brancos como a neve, ou de personal trainers capazes de reduzir nosso percentual de gordura corporal pra 0,5%. Porque, claro, tudo tem que estar perfeito, e devemos nos manter incólumes.

Pois a minha conclusão sobre o risco feito pelo flanelinha na lateral de um carro porto-alegrense é a seguinte: um risco na lataria de um carro é apenas um pequeno defeito que não compromete em nada a sua funcionalidade. Não é ruim o suficiente pra transformar pessoas em reféns do que quer que seja. Muito menos em reféns da bandidagem. Assim como pequenas imperfeições que, graças à nossa futilidade, se agigantam tanto aos nossos olhos, não são suficientes para "macular" a beleza de ninguém. Assim como, aliás, os pequenos ou grandes defeitos que insistimos em encontrar na aparência alheia não são suficientes para macular o seu valor como seres humanos. Assim como, aliás... eu poderia ficar horas discorrendo sobre a desimportância daquele risco.

Porque o risco que me preocupa é um só: o risco seriíssimo que corremos de acabar perdendo de vez a noção do que é que, afinal, vale alguma coisa nesse mundo.

2.9.07

Sobre corações

Depois de tanto tempo sem escrever no blog, só vim mesmo porque ameeei isso aqui:





E já que estamos aqui mesmo, vamos fazer uns comentários rápidos:

Coração partido é uma m... mesmo. Mas a gente aprende um monte. Tudo na vida é aprendizado - e eu quero dizer tudo mesmo - e as pessoas seriam muito mais felizes se compreendessem isso.

Pior do que o coração partido só o coração fechado. Coração tem que ter as torneiras abertas. Sentiu? Falou. Agiu. Sei lá o quê, mas não deixe parado aí dentro. É a melhor coisa que a gente pode fazer :)

Hoje em dia parece que as pessoas têm vergonha de ter bom coração. Sim, porque nessa selva onde a gente vive a gente tem que ser esperto, tem que ser malandro, tem que dar rasteira no outro antes que ele dê na gente primeiro. Quanta bobagem! A gente passa tanto tempo aprendendo as malícias da vida, endurecendo nosso coração, pra um dia se dar conta de que era muito melhor ter permanecido ingênuo como quando a gente era criança. Ainda bem que, por mais m... que a gente faça, por incrível que pareça a pureza do coração permanece sempre lá :)