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SOL EM LEÃO, ASCENDENTE EM GÊMEOS - A Defesa de PrincípiosUm certo gosto pela polêmica é natural na combinação de Leão com Gêmeos num só mapa. Você aprecia os debates, e defende fervorosamente os seus pontos de vista, deixando as pessoas perplexas com a sua velocidade de raciocínio. Precisa, entretanto, tomar cuidado com uma certa postura de "a verdade é minha" e aproveitar melhor uma das maiores qualidades do seu mapa: a comunicação. Você provavelmente sempre tem algo a dizer sobre os mais diversos assuntos, e isso é o resultado da notável inteligência do ascendente em Gêmeos, muito embora nem sempre seja sábio dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Você percebe as coisas rapidamente, é uma pessoa antenada em relação às coisas que estão acontecendo, mas corre o risco de fazer julgamentos precipitados, que se baseiam em fatos parciais. Gosta de ler, de viajar, de se movimentar, e provavelmente é uma pessoa que fascina e cativa as pessoas ao redor, pois tanto Leão quanto Gêmeos são dois signos de extremo bom humor - às vezes até mesmo de uma língua meio ferina, mas tudo bem, os outros agüentam.Possui um sistema nervoso sensível e pode vir a ter problemas em decorrência de stress, de sobrecargas mentais, de estafa cerebral. Por isso lhe recomendo ativamente alguma forma de meditação, algo que lhe permita relaxar internamente. O problema aqui não é nem tanto a tensão muscular, mas, sobretudo, a tensão cerebral.Gostei dessa análise. 100% de acurácia. "Os outros agüentam" foi ótimo hahahahahahahahaha....
Tenho um amigo, Christian, também parceiro de cinefilia, que costumava sacanear as minhas críticas cinematográficas quando tinha algum ator bonito no cast, dizendo que minha opinião estava "viciada". Eu sempre morri de rir disso, especialmente porque algumas vezes era verdade mesmo. Há alguns anos atrás eu realmente gostava muito de escrever críticas de cinema, escrevia sobre quase todo filme novo que eu via, no site E-Pipoca (minha página ainda está lá, embora completamente desatualizada: E-Pipoca), participava de concursos, cheguei até a assistir filme de graça em pré-estréia e ganhar uma camiseta, embora tenha ficado meio sentida de perder a viagem a Paris no concurso da Veiga de Almeida. E, bem, realmente padeci de alguns casos de opinião viciada, como quando os belos olhos do Matt Damon me fizeram escrever que "Onze Homens e um Segredo" era um clássico. Shame on me! A propósito, não me perguntem por que o Matt Damon e não o Brad Pitt ou o George Clooney... se bem que obviedades não são mesmo a minha praia. O engraçado é que há muito tempo eu não vinha tendo essas opiniões "viciadas" sobre filmes. Constatei que, à medida que vamos vivendo, vamos também perdendo a capacidade de ver apenas o lado bom das pessoas. Tem tudo a ver com a perda da ingenuidade. Com a maturidade, torna-se impossível não enxergar as mazelas dos seres humanos, e conseqüentemente fica bem mais difícil se deixar iludir, mesmo pela feérica fantasia do cinema. Mas hoje cheguei bem perto dessa sensação de novo. "Loucos de Paixão" não serviu apenas pra me fazer descobrir uma música que eu buscava há tempos. Sim, eu gostei muito do filme, e talvez não seja apenas uma opinião viciada. A personagem e a atuação de Susan Sarandon são magistrais. Confesso que aquela personalidade é meu sonho de consumo: passar o tempo inteiro falando a mais absoluta verdade, sem freios ou papas na língua. O discurso dela ao ganhar um aspirador de pó de presente do namorado é simplesmente antológico. Mas uma coisa não posso negar: que o James Spader de 17 anos atrás deu uma bela forcinha, isso deu. Ele está parecendo uma versão loira e melhorada do John Mayer (incluindo até aquela voz grave), que ainda põe "O Mio Bambino Caro" pra tocar numa voltinha de carro. E ele ainda aparece no filme como veio ao mundo, com tudo devidamente em seu lugar... Bom, mas o tempo deve ter mudado muito o James Spader, o John Mayer está com a cara mais redonda a cada dia e - pior - namorando a Jessica Simpson... mas felizmente o cinema é apenas uma fantasia feérica mesmo. E pra completar tudo isso ainda descubro que o António Martínez Cascales tem casa na Bahia... Pra quem vai cada vez mais se acostumando com as desilusões da vida, não é nada mau ter boas surpresas de vez em quando ;)Mas na real mesmo... acho que o responsável por eu ter gostado de "Loucos de Paixão" não foi nem a Susan Sarandon nem o James Spader. Foi meu alter ego de 43 anos, que estará daqui a duas décadas certamente namorando rapazes de 27 hahahaha...OBS: Pois é, o quarto parágrafo não é pra fazer muito sentido mesmo (ao menos não para o público geral hehehe)
A vida é mesmo feita de reencontros... Há muito tempo atrás, nesse post "Na Companhia de Livros", eu relembrava um momento de enlevo em Campinas, quando tive a oportunidade de presenciar uma pequena apresentação de uma cantora lírica, mas eu não sabia o nome da música que ela estava cantando. Coincidentemente, aquele post havia sido pensado justamente por ocasião de um filme, "Cuba Libre", e hoje um outro filme me ajudou a preencher aquela lacuna. Estava assistindo a "Loucos de Paixão" ("White Palace") de madrugada quando, em uma cena, o personagem do James Spader põe uma fita pra tocar no carro (pois é, filme velho, os carros ainda tinham toca-fitas...) e a música é justamente aquela que eu tinha ouvido aquela noite em Campinas. De posse do nome do filme, com Google e IMDB, não foi difícil chegar ao nome da música. Aqui, na interpretação de Leontyne Price, "O Mio Bambino Caro", da ópera Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini.
OBS: é muito mais incrível ao vivo :)
Todo mundo sabe que eu amo John Mayer. Mas esse design aí embaixo, que ilustra vários produtos da grife dele, como adesivos e camisetas, é no mínimo muito estranho.
Nada mais é do que a silhueta da foto que ilustra a capa do álbum "Heavier Things".
Talvez seja só minha mente pervertida. Mas que é estranho, é...
No último domingo eu experimentei uma sensação que, acredito, o destino não reserva a muitos. Tive certeza absoluta sobre o meu futuro. Acordei de manhã, duas horas depois de ter ido dormir, e me dirigi à FAPA. Entrei na sala, sentei na minha carteira, respirei aquele ar da diplomacia, um pálido vislumbre da vida que eu e todos os que estavam naquela faculdade naquela manhã pretendíamos ter. Não é todo dia que você adentra um recinto e diz "meu futuro está aqui". Ou o começo dele, evidentemente. É uma certeza boa de se ter. Eu não sei o que esperar da vida em muitos aspectos. Não sei se vou plantar uma árvore, escrever um livro, pular de pára-quedas, assistir a uma final de Roland Garros, tirar uma foto com o Juan Carlos Ferrero, ir a um show do U2, sentar na primeira fila numa apresentação do John Mayer, aprender russo, caminhar pelas ruínas do império Inca no Peru... Não sei se vou me casar, se vou ter filhos, quantos vou ter, se vou ter um cachorro labrador no quintal, se vou ter uma casa de praia com piscina e vista pro pôr-do-sol, se vou ter um Citröen C3 ou um Honda Civic, se vou aparecer de suspresa na casa da minha mãe pra matar as saudades, se vou ter cunhada e sobrinhos, se vou ter padrasto, se vou testemunhar muitos enterros e nascimentos, se vou dizer "eu te amo pra alguém" algum dia... Mas uma coisa eu sei: vou ser diplomata.
Guldunya tinha 22 anos quando morreu, em 2004, em Istambul, capital da Turquia.
Filha de um tradicional clã de sua cidade natal, Bingol, Guldunya caiu em desgraça ao se apaixonar por um primo casado, iniciar um romance com ele e, mais tarde, engravidar.
Com a descoberta da gravidez, a família de Guldunya a manteve presa em casa, até que se descobrisse toda a história. Os irmãos de Guldunya tinham outros planos pra ela. Queriam que se casasse com outro homem, mas aquela gravidez era deveras inconveniente.
Guldunya foi levada a Istambul para que desse à luz clandestinamente. Porém, isso não foi suficiente. A vergonha de ter uma irmã gerando um filho fora do casamento, dentro da própria família, de um primo casado, a mácula irrecuperável na honra do clã, foram intensas demais para suportar.
Os dois irmãos de Guldunya tentaram matá-la a tiros. Ela milagrosamente sobreviveu, e foi hospitalizada. Poucas horas depois, um dos irmãos entrou no hospital e terminou o serviço, limpando a honra da família.
Estima-se que, a cada ano, pelo menos cem mulheres morrem na Turquia por esse mesmo motivo.
O que mais me impressiona nessa notícia, que eu li hoje à noite no jornal de domingo, é a forma perfeita como ela ilustra a bestialidade do machismo arcaico e obsoleto que - pasmem - ainda sobrevive em pleno século 21.
Cem mortes de mulheres ao ano em um país, por crimes de honra, é muito. Quase uma morte a cada três dias. Mas o mais espantoso é que a estatística computa somente os casos que terminam em tragédia, como o de Guldunya. Casos de pessoas dentro do próprio seio familiar, irmãos, que cresceram juntos e compartilharam uma vida inteira de convivência, e chegam ao cúmulo de apertar um gatilho para ceifar a vida do outro.
Por trás dessas estatísticas, a realidade é a de um ódio que se enraíza sorrateiramente em muitas famílias. A sociedade sexista, que incute valores ultrapassados na cabeça das pessoas, faz com que muitos homens se achem no direito de julgar o comportamento de suas irmãs, primas, mães e tias. E esse julgamento velado se transforma num verdadeiro câncer social, que invariavelmente explode em situações como a de Guldunya. A ignorância, a intolerância, o preconceito e a hipocrisia criam um abismo muitas vezes intransponível entre homens e mulheres, que se manifesta muitas vezes não sob a forma de um tiro, mas de um olhar, de um gesto ou de uma palavra de reprovação, vindos de onde se espera apoio, respeito, carinho e consideração. Ninguém - homem ou mulher, familiar ou não - pode se arvorar juiz da moral alheia.
Eu não vivo na Turquia e seria absolutamente infeliz me comparar à situação de Guldunya. O Ocidente é mais liberal, não vivemos sob a égide do Islã, não precisamos botar um véu na cabeça para andar na rua. Mas acho que esse é um sentimento compartilhado pelas mulheres em qualquer lugar do mundo. Eu tenho um irmão, um ano mais velho do que eu, que constantemente manifesta esse tipo de julgamento. Minhas amigas, por exemplo, ele não qualifica pelo caráter, inteligência, personalidade. Seu critério pra determinar uma mulher que "presta" ou não - quem é ele, ou qualquer um, pra julgar? - é unicamente o comportamento sexual. Pra ele as mulheres se enquadram em duas categorias: ou dão bastante, ou estão loucas pra dar. Trabalhadoras? Honestas? Boas mães, filhas ou irmãs? Inteligentes? Autênticas? Nada disso importa. Computemos o número de homens que já passaram pela sua cama.
Meu irmão certa vez proferiu esta pérola (como isso foi há muito tempo atrás, eu espero sinceramente que ele já tenha mudado de opinião): "Pra mim, à exceção da minha mãe e da minha irmã, todas as mulheres no mundo são putas, até prova em contrário". Eu acho que hoje em dia ele já deve ter mudado essa opinião, nem que tenha sido pra excluir alguém do rol de exceções.
O que mais me impressiona em tudo isso é que homens não levam em conta o curriculum vitae sexual de outros homens na hora de construir suas amizades. Ao contrário, muitas vezes a promiscuidade masculina conta pontos a favor, conferindo uma boa fama ao garanhão pegador. Já quando se trata de mulheres, a primeira coisa a ser analisada é justamente isso. E essa constatação não é um libelo em defesa da promiscuidade feminina, mas contra a hipocrisia reinante na sociedade atual. Porque, até onde me consta, à exceção das desculpas científicas esfarrapadas que pretendem nos convencer de que os homens têm mais necessidade de sexo do que as mulheres, não foi baixado ainda nenhum decreto estabelecendo códigos morais diferenciados para homens e mulheres.
O comportamento de pessoas como os irmãos que condenaram Guldunya se assemelha ao dos vegans que fazem campanhas incansáveis contra o consumo de carne. Com tantas outras coisas mais importantes no mundo, tem gente se preocupando com isso - com o perdão do trocadilho, literalmente com o que os outros comem. Eu me pergunto por que, ao invés de nos ocuparmos com questões de foro íntimo de cada um, não gastamos nosso tempo pensando em como minimizar os efeitos do aquecimento global, da fome e da miséria no mundo. Mas enquanto mulheres são apedrejadas até a morte por adultério no Oriente Médio, genocidas que comandam o lançamento de bombas sobre populações inocentes continuam desfrutando do poder como os grandes comandantes do mundo.
Homens? Mulheres? Antes de mais nada, seres humanos.