20.11.07

Grace

Momento de licença poética para o meu ego. Eis uma música que tem tudo a ver comigo.

(E como se não bastasse, ainda do U2...)

GRACE

Grace, she takes the blame
She covers the shame
Removes the stain
It could be her name

Grace, it's a name for a girl
It's also a thought that changed the world
And when she walks on the street
You can hear the strings
Grace finds goodness in everything

Grace, she's got the walk
Not on a ramp or on chalk
She's got the time to talk
She travels outside of karma
She travels outside of karma
When she goes to work
You can hear her strings
Grace finds beauty in everything

Grace, she carries a world on her hips
No champagne flute for her lips
No twirls or skips between her fingertips
She carries a pearl in perfect condition

What once was hurt
What once was friction
What left a mark
No longer stings
Because Grace makes beauty
Out of ugly things

Grace makes beauty out of ugly things

O Ódio

Há algo muito recorrente em documentários sobre grandes dramas da humanidade, como o Holocausto dos judeus, a chacina da Candelária e a Inquisição da Igreja Católica: pessoas que presenciaram esses acontecimentos de forma muito viva, e que devotaram sua vida à luta para que os registros desses eventos jamais fossem apagados.

Eu sempre me perguntei pra que isso. Por que havia pessoas que estavam sempre ali, cutucando a gente, volta e meia trazendo esses assuntos de volta à tona, não nos deixando esquecer essa mancha funesta no currículo da humanidade. "OK, a gente já sabe que tudo isso foi horrível, e que não devemos fazer de novo", era o que eu sempre pensava. Mas eu descobri que a presença viva do ódio é muito mais forte do que qualquer idéia. É muito mais forte do que qualquer coisa que a gente possa julgar já saber de cor e salteado.

Este post sobre o ódio era pra ser uma coisa bem pessoal, passional até. Eu pretendia contar algumas histórias sobre a perpetuação do ódio, e pior ainda, sobre o seu trancamento dentro dos corações das pessoas (o que contraria totalmente a minha teoria de que corações devem ter torneiras abertas). Mas não. Porque minhas histórias não são de holocausto. E também porque, embora eu tenha aprendido como a presença viva e recorrente do ódio seja importante, eu continuo não querendo isso pra mim. Aqui no meu blog eu me reservo o direito de, em loucos devaneios, acreditar que as pessoas podem, sim, aprender a lição apenas uma vez e não precisem que uma assombração fantasmagórica venha aterrorizá-las durante a noite para que se lembrem de fazer as coisas certas.

Mas o ódio, ou a sua forma material, tangível, é um contraponto indispensável para nós, seres humanos. Ele nos mostra o quanto as coisas poderiam ser piores, o quanto aprendemos, o quanto trilhamos nessa estrada rumo a um amanhã melhor do que o hoje. Encarar o ódio nos olhos é ao mesmo tempo perceber a maravilha de tudo aquilo de bom que conquistamos, e o horror que existiria se tudo aquilo nos faltasse, se por um pequeno lapso nós nos desencaminhássemos, tropeçássemos e caíssemos na vala funda da nossa própria obscuridade. O ódio na verdade é um chamamento à realidade, é uma lente que nos coloca os fatos em perspectiva. Parece paradoxal, mas o ódio é uma bênção.

Eu desejo sinceramente que alguém odeie você. E que você possa olhar esse ódio nos olhos, porque isso ajuda a colocar todas as coisas nos seus devidos lugares. O ódio nos relembra que precisamos amar.

5.11.07

Por que eu amo tênis (e o Gasquet e o Djokovic)

Essa cena aconteceu após a final do torneio de Estoril, em Portugal, em maio deste ano, onde o sérvio Novak Djokovic sagrou-se campeão ao bater o francês Richard Gasquet por dois sets a zero, parciais de 7-6 (9-7), 0-6 e 6-1.

Estes são dois representantes da nova geração do tênis, e dois dos mais talentosos tenistas da atualidade. E eles fazem festa, como você pode ver. Gasquet, vencido, esguicha champanhe nas costas de Djokovic, e parece se divertir tanto quanto o campeão. Dois jovens que seguramente ainda têm muitos torneios pela frente, muitas vitórias e derrotas, muitas glórias e lágrimas esperando por eles. Eles celebram. Me alegra demais a atitude do Richard, com esse sorriso no rosto mesmo após uma derrota. Derrota? Bom, um rapaz de 21 anos que chega à final de um dos torneios mais importantes do ano, e termina a temporada entre os oito melhores do mundo, certamente não é um derrotado. Eu, aliás, acho que ele só tem motivos pra comemorar mesmo. Que estoure muitas Veuve Clicquot por aí! E o carismático Novak me enche de alegria também, ao demonstrar a generosidade de um verdadeiro campeão, em compartilhar sua felicidade com todos, especialmente com a única pessoa que faz todos os seus triunfos possíveis: seu adversário!

Obrigada, Richard e Novak, por me mostrarem, em um descontraído banho de champanhe, que ainda há salvação para a humanidade.


4.11.07

Tennis Masters Cup

O ano está acabando e, como não poderia deixar de ser, as competições esportivas vão, uma a uma, começando a dar um tempo. A F1 e a GP2 já finalizaram a temporada, com o título previsível de Timo Glock e o não tão previsível assim de Kimi Raikkonen. O campeonato brasileiro de futebol já tem seu campeão (a cinco rodadas do final! Poderia ser mais xarope?). E hoje o tênis também definiu as duas últimas vagas para o torneio final da temporada, a Tennis Masters Cup, que reúne os oito melhores tenistas do ano:

1- Roger Federer (SUI)



Não há muito a dizer sobre o suíço: número um do mundo absoluto, pelo quarto ano consecutivo. O cara simplesmente domina o mundo do tênis.


2- Rafael Nadal (ESP)



E o espanhol é o touro miúra que, pelo quarto ano consecutivo, corre atrás do Federer rsrsrs...


3- Novak Djokovic (SER)



Esse sérvio é um dos meus jogadores preferidos. Conseguiu uma evolução incrível esse ano, inclusive ganhando do Nadal e do Federer. Grande talento e grande carisma. Desejo sorte pra ele!


4- Nikolay Davydenko (RUS)



Tudo bem que eu nunca fui com a cara do Davydenko... e por que será que eu nunca me engano com a minha intuição? Estão aí os escândalos das apostas pra provar, em que o russo está sendo acusado de entregar partidas em troca de dinheiro. Deprimente...


5- Andy Roddick (EUA)



A maquininha de aces americana ataca novamente! Mas não acho que o Roddick vai conseguir muita coisa contra grande devolvedores como Federer, Nadal, Djokovic, Ferrer, González e Gasquet.


6- David Ferrer (ESP)



O espanhol ainda parece meio peixe fora d'água no meio dos oito melhores, principalmente pelo nervosismo em momentos decisivos, mas a gente pode esperar muita luta e garra.


7- Fernando González (CHI)



A melhor direita do circuito anda meio destreinada no fim da temporada, mas o chileno é sempre promessa de partidas emocionantes, além de botar a América do Sul no topo!


8- Richard Gasquet (FRA)



Sem palavras. O francês conseguiu a última vaga ao fazer uma campanha brilhante em Paris, onde chegou às semifinais, perdendo para o campeão David Nalbandián (que, infelizmente, ficou de fora da TMC). Outro dos meus jogadores preferidos. Conseguiu o feito de ganhar torneios nas quatro superfícies diferentes esse ano, e tem tudo pra arrebentar ano que vem. Desejo toda a sorte pra ele! Bonne chance! Allez, Richard!