Tenho um amigo, Christian, também parceiro de cinefilia, que costumava sacanear as minhas críticas cinematográficas quando tinha algum ator bonito no cast, dizendo que minha opinião estava "viciada". Eu sempre morri de rir disso, especialmente porque algumas vezes era verdade mesmo. Há alguns anos atrás eu realmente gostava muito de escrever críticas de cinema, escrevia sobre quase todo filme novo que eu via, no site E-Pipoca (minha página ainda está lá, embora completamente desatualizada: E-Pipoca), participava de concursos, cheguei até a assistir filme de graça em pré-estréia e ganhar uma camiseta, embora tenha ficado meio sentida de perder a viagem a Paris no concurso da Veiga de Almeida. E, bem, realmente padeci de alguns casos de opinião viciada, como quando os belos olhos do Matt Damon me fizeram escrever que "Onze Homens e um Segredo" era um clássico. Shame on me! A propósito, não me perguntem por que o Matt Damon e não o Brad Pitt ou o George Clooney... se bem que obviedades não são mesmo a minha praia.
O engraçado é que há muito tempo eu não vinha tendo essas opiniões "viciadas" sobre filmes. Constatei que, à medida que vamos vivendo, vamos também perdendo a capacidade de ver apenas o lado bom das pessoas. Tem tudo a ver com a perda da ingenuidade. Com a maturidade, torna-se impossível não enxergar as mazelas dos seres humanos, e conseqüentemente fica bem mais difícil se deixar iludir, mesmo pela feérica fantasia do cinema. Mas hoje cheguei bem perto dessa sensação de novo. "Loucos de Paixão" não serviu apenas pra me fazer descobrir uma música que eu buscava há tempos. Sim, eu gostei muito do filme, e talvez não seja apenas uma opinião viciada. A personagem e a atuação de Susan Sarandon são magistrais. Confesso que aquela personalidade é meu sonho de consumo: passar o tempo inteiro falando a mais absoluta verdade, sem freios ou papas na língua. O discurso dela ao ganhar um aspirador de pó de presente do namorado é simplesmente antológico.
Mas uma coisa não posso negar: que o James Spader de 17 anos atrás deu uma bela forcinha, isso deu. Ele está parecendo uma versão loira e melhorada do John Mayer (incluindo até aquela voz grave), que ainda põe "O Mio Bambino Caro" pra tocar numa voltinha de carro. E ele ainda aparece no filme como veio ao mundo, com tudo devidamente em seu lugar... Bom, mas o tempo deve ter mudado muito o James Spader, o John Mayer está com a cara mais redonda a cada dia e - pior - namorando a Jessica Simpson... mas felizmente o cinema é apenas uma fantasia feérica mesmo.
E pra completar tudo isso ainda descubro que o António Martínez Cascales tem casa na Bahia... Pra quem vai cada vez mais se acostumando com as desilusões da vida, não é nada mau ter boas surpresas de vez em quando ;)
Mas na real mesmo... acho que o responsável por eu ter gostado de "Loucos de Paixão" não foi nem a Susan Sarandon nem o James Spader. Foi meu alter ego de 43 anos, que estará daqui a duas décadas certamente namorando rapazes de 27 hahahaha...
OBS: Pois é, o quarto parágrafo não é pra fazer muito sentido mesmo (ao menos não para o público geral hehehe)

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