Sabe quando a gente está exagerando em alguma coisa e alguém vem com aquela pequena palavra que comporta um enorme e sapientíssimo conselho: menos! Pois é, eu acho que ando querendo “menos” pra minha vida.
Não que a gente não deva ter grandes aspirações. Não que não se deva almejar ao melhor. Mas algumas coisas devem ser simples.
Infelizmente, com relação a algumas coisas que julgamos determinantes em nossas vidas, nós acabamos sendo cuidadosos demais. Acabamos idealizando demais. Achamos que o emprego definitivo só será aquele que nos fará 100% felizes em 100% do tempo, onde tenhamos realização profissional, sejamos valorizados e, obviamente, ganhemos bem. E pensamos o mesmo da pessoa com quem vamos nos casar, à qual daremos a honra da nossa companhia eterna, que evidentemente deve preencher uma extensa lista de pré-requisitos. Idealizamos nossos filhos, achamos que eles serão os melhores na escola, nos esportes e nas aulas de música e idiomas. Pais acham que suas filhas não vão dar antes dos 21 e mães têm certeza de que seus filhos serão bem-sucedidos, bem de vida e terão algum título que lhes confira algum status social.
Mas essa expectativa toda cansa. A perfeição é chata, simplesmente porque não podemos ir além dela. Ela sepulta toda a emoção, todo o desafio, o anseio pelo inesperado. Isso sem contar o mais importante: a perfeição não existe.
Pensando um pouco, eu resolvi não encanar com certas idéias fixas, ideais elevados, cláusulas pétreas das minhas idiossincrasias. Continuo querendo mudar o mundo – por que não? Mas percebi que nem tudo tem que ser do jeito que eu idealizei. Certamente alguém lá em cima tem muito mais know-how pra organizar a vida de um jeito muito mais certo do que o que consta no meu script. Percebi que a busca incessante da perfeição em tudo nos engessa, nos mete medo. Medo principalmente de que nós mesmos não sejamos capazes de atingi-la. Percebi que a vida não foi feita pra ser vivida com medo. E percebi principalmente que, se talvez a perfeição exista, ela com certeza não se parece em nada com aquilo que eu havia imaginado.
29.11.06
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