28.11.06

O Nascimento de um Blog

Escrever um blog é uma idéia que veio amadurecendo aos poucos na minha cabeça. Eu sempre escrevi diários e cartas para mim mesma, sobre as coisas mais prosaicas e irrelevantes, exatamente como esses blogs que andam por aí agora, só que os meus eram em versão papel e caneta.

O “clique” veio quando uma amiga, durante um jantar em um japonês, foi direto ao assunto: “Por que você não escreve um blog? Eu acho que você devia escrever um blog...”

Explico: felizmente, pessoas parecidas às vezes dão a sorte de se encontrar, e foi exatamente o que aconteceu entre mim e a Michele. Somos tão parecidas que nós brincamos que somos almas gêmeas. Isso quer dizer que, por uma agradável “coincidência” do destino, eu arrumei a melhor companhia possível pra fazer algo que qualquer pessoa faz – comer sushi e beber vinho em um restaurante japonês toda semana. E também para fazer algo que quase ninguém faz – passar algumas horas discutindo sentimentos, idéias e afins.

OK, a gente não quer ser nojenta, mas a gente olha em volta, olha para as outras mesas, e vê as mulheres falando sobre a vida alheia, os homens falando sobre futebol, as mulheres falando sobre roupas, sapatos e cor de tinta de cabelo, os homens falando sobre mulher, e tudo fica naquela superficialidade desgraçada. Pois eu e Michele falamos sobre tudo isso, muitas vezes a gente até entra no restaurante com um monte de sacolas penduradas e comenta como foi boa aquela liquidação, mas nunca pára por aí...

Pausa para reflexão: isso me leva a pensar que o valor das pessoas nem sempre está no que elas fazem, mas no que elas podem fazer. Isso entra um pouco em conflito com uma frase que eu adoro, que a Katie Holmes proferiu para o Christian Bale em Batman Begins: It’s not who you are underneath, it’s what you do that defines you. Mas eu exemplifico: imagina que você foi convidado para passar um fim de semana no sítio do Ian Thorpe lá no interior da Austrália. Então naquele calorão danado, um churrasco, uma cerveja, ou seja lá qual for o costume australiano, as pessoas resolvem cair na piscina pra se refrescar, o que obviamente inclui o dono da casa himself. E você vê o Ian Thorpe boiando lá na piscina, de barriga pra cima, bem tranqüilão. Por que isso? Porque obviamente o Ian Thorpe não vai passar 24 horas por dia quebrando recordes mundiais dentro de uma piscina. Ele deixa de ser supercampeão por causa disso? Não. Ele não está ali nadando a duzentos quilômetros por hora diante de você, mas você sabe que ele pode. Isso me leva a uma outra reflexão: como é importante o timing. Mas acho que vou deixar isso pra outra hora.

Enfim, o que eu quero dizer é que há uma grande probabilidade de eu estar conversando amenidades com a Michele em uma mesa num japonês qualquer. Aliás, a gente pode até estar falando bobagens inomináveis. E rindo de chorar, provavelmente. Mas a gente pode ir além. Esse é o diferencial. Aliás, como diria meu sábio e saudoso pai, o importante não é ser diferente, mas ser diferenciado.

(Sem querer se jactar de nada aqui... até porque eu adoraria que houvesse mais pessoas capazes de ouvir certas coisas sem dizer “acho que tu bebeu demais, hein?”)

Mas então, foi assim que a minha amiga contribuiu para me convencer a escrever um blog.

A outra contribuição importante veio de um amigo que é paulista, mora em Marília e eu nunca vi pessoalmente na minha vida (quanto a isso só sei que tem bom gosto pra gravatas). Explico: ele escreve, junto com amigos, um blog fantástico. Juro que quando eu li pela primeira vez eu senti aquele estalo dizendo “queria fazer algo assim”. Algum tempo depois, quando ele escreveu um post nascido de uma idéia que eu havia levantado em um scrap no Orkut dele, eu vi que talvez eu pudesse realmente fazer alguma coisa parecida.

E agora, o golpe de misericórdia.. Estava procurando no Google alguma informação sobre o vídeo da atriz carioca que fez uma imitação da Maria Rita no Programa do Jô (absolutamente impagável), e acabei entrando num blog que tinha um post sobre o assunto. No final das contas, não achei lá nenhuma informação relevante para encontrar o vídeo (que ainda não está no YouTube, como pode?), mas achei o blog fenomenal.

Tem muita gente dizendo que os blogs estão transformando a arte da escrita em um balaio de gato, porque hoje em dia todo mundo escreve aquilo que bem entende, e existe muita coisa de má qualidade et cetera e tal... Pois eu acho que a arte sempre vai ser assim: de um campo extenso de opções, você vai extrair algumas poucas – não necessariamente as melhores, mas aquelas com as quais você mais se identifica. Eu acho que dentre os milhões de títulos já editados em livro por aí, existe sim muita porcaria, exatamente como no universo de milhões de blogs que existe na net. A única diferença na minha opinião é que agora se expandiu o leque de opções. A literatura disponível simplesmente deixou de ser estabelecida pelos editores. Com os blogs, o público tem tudo à mão e pode escolher livremente aquilo que mais lhe interessa. Sem intermediários.

Mas é óbvio que todos os que perdem algum poder sempre vão chiar. Isso sempre foi e sempre será assim. Eu também não pretendo mudar a natureza humana, meu problema é com a dissimulação, com o “não é bem assim”...

Juro que um dia ainda vou descobrir quem é que ganha alguma coisa com esse mundo de hipocrisias...

E juro também que ainda vou viver para ver as pessoas se responsabilizando por seus pensamentos e atitudes.

Um comentário:

Anônimo disse...

*AÊ...até que enfim colocou aquela inspiração toda no papel, oops, num blog.....

waiting for inspiring words to make my world a little better...

love you!*